terça-feira, 9 de dezembro de 2014
domingo, 9 de novembro de 2014
e essa primeira noite depois que você volta para sua casa é sempre a mais solitária porque eu sinto a sua presença no cheiro do seu travesseiro e da roupa que você dorme, nas memórias tão recentes de quando você estava aqui, na energia que você emana e que sempre fica quando você vai e no meu coração que está sempre transbordando de amor. só que mesmo com toda essa presença, sinto a ausência do seu abraço, dos seus beijos, do seu braço em volta do meu corpo e do seu corpo procurando o meu ao amanhecer.
sábado, 25 de outubro de 2014
Circo do GEAMA
Passei tanto tempo afundada em meus próprios problemas que esqueci que a melhor forma de emergir é ajudar os outros.
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
descobri por que tenho estado tão cansada apesar de estar dormindo bem. é que eu fico o dia inteiro, todos os dias, tentando não chorar. e não é que eu esteja triste e infeliz, porque não estou. é que eu estou com uma saudade que não tem como matar. a saudade de um presente alternativo em que eu ainda tenho um pai presente, que acompanhe feliz as coisas felizes que me acontecem, que cuide de mim, que faça piadas sem graça e cante nos elevadores; que me chame com um beijo estalado, que me ajude a fazer as coisas que ainda tenho dificuldade de fazer sozinha, que me sorria e me alegre quando o Eagles perde. meu pai que hoje está tão perdido que eu quase me perco junto. acho que preciso de um banho que esfrie, uma torrada não queimada o suficiente, ou qualquer coisa boba que me faça chorar horrores.
terça-feira, 22 de julho de 2014
domingo, 6 de julho de 2014
"você tem chaves para abrir portas em mim"
e então finalmente eu tenho a chave. e então finalmente eu consigo entrar. e é estranho porque eu achava que entrar seria algo magnífico e foi e geralmente as coisas não atendem nossas expectativas, mas atendeu, foi e está sendo. e o mais magnífico é que entrar é lindo e tão novo quanto conhecido. é melhor que todas as soleiras que eu não tenho falta.
segunda-feira, 19 de maio de 2014
domingo, 18 de maio de 2014
domingo, 11 de maio de 2014
muitas pessoas acham que as suas mães são as melhores do mundo. eu mesma já disse isso para a minha um milhão de vezes. mas a verdade é que nós não temos realmente como avaliar todas as mães. eu não sei nem se a minha mãe é realmente a melhor mãe que eu já tive, porque não me lembro das minhas outras reencarnações. mas a verdade verdadeira. aquela que eu posso dizer com certeza absotuta é que a minha mãe é a melhor mãe que eu poderia ter nesse momento, que Deus foi muito bondoso em me permitir reencarnar com ela. não conheço uma pessoa que seja mais forte e que me ensine a ter tanta força de vontade e coragem de viver. não sei realmente se existe uma mãe melhor, mas eu não escolheria nenhuma outra que não a minha porque é ela a pessoa que mais me ama e que é mais maravilhosa no mundo comigo. me ensina o amor incondicional de mãe, me ensina a seguir em frente apesar das dificuldades, me ensina que podemos falhar às vezes e explodir, mas que sempre é tempo de acertar e renovar. ela é a principal razão por eu acordar todos os dias e ainda acreditar que as coisas podem melhorar, por não perder a fé, que às vezes anda tão capenga. ela me ensina a perdoar toda vez que me perdoa por tantas falhas minhas, me ensina que eu sou muito mais forte do que eu pensava que poderia ser e que posso ser feliz apesar de qualquer coisa, que podemos ser felizes apesar de qualquer coisa. Deus é realmente perfeito, porque escolheu a mãe perfeita para mim.
quinta-feira, 6 de março de 2014
COMEERJ Fé Ativa
Obrigada, Senhor, por esses quatro dias de luz, esperança, amor e fraternidade.
Obrigada, Senhor, por toda a coragem, fé, vontade e felicidade que esses quatro dias me fizeram reencontrar.
Obrigada, Senhor, por não me deixar só, mesmo quando os dias estão difícies e a fé vacilante. Obrigada por ter colocado em meu caminho tantas pessoas que me ajudam seguir, herdeiros das constelações, amigos, irmãos de caminhada, companheiros das estradas imortais! Senhor, nós estamos em todos caminhos bons!
Que possamos levar esses quatro dias para todos os outros dias do ano, construirmos a nova era e sermos felizes.
Obrigada, Senhor, por toda a coragem, fé, vontade e felicidade que esses quatro dias me fizeram reencontrar.
Obrigada, Senhor, por não me deixar só, mesmo quando os dias estão difícies e a fé vacilante. Obrigada por ter colocado em meu caminho tantas pessoas que me ajudam seguir, herdeiros das constelações, amigos, irmãos de caminhada, companheiros das estradas imortais! Senhor, nós estamos em todos caminhos bons!
Que possamos levar esses quatro dias para todos os outros dias do ano, construirmos a nova era e sermos felizes.
domingo, 23 de fevereiro de 2014
queria ter que trabalhar o dia inteiro, pelo menos por alguns dias, para poder ficar bem cansada fisicamente e, quem sabe, não perceber o tanto desse cansaço emocional. e talvez eu também não conseguisse fugir de sentir, fugir de gritar porque eu não posso mais viver de fuga, quero viver de vida, mesmo que seja uma vida não tão boa de se viver.
não consigo lembrar da última vez que fui Feliz. Feliz de Verdade. mas consigo saber quando será a próxima. daqui a 6 dias. contagem regressiva.
não consigo lembrar da última vez que fui Feliz. Feliz de Verdade. mas consigo saber quando será a próxima. daqui a 6 dias. contagem regressiva.
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
ATA
hoje eu assinei a saudade.
a saudade de um tempo que se vai.
hoje assinei o fim de uma fase, que não pareceu ser uma fase e sim toda uma vida.
uma vida tão bonita que até teve casa para morar.
uma casa cheia de poesia, rabiscos e nomes de novela mexicana.
uma casa que uma vez foi pintada de cinza e reescrita de papéis coloridos colantes.
uma casa de cachorros voadores, super-poderes, alguns podres e lamentações.
uma casa que se recria no portugays de todo dia.
uma casa que se desenha caralhinhos voadores, fazendo referências que poucos reconhecem, entendem, mas que fazem parte daqueles que viveram e vivem por lá.
daqueles que um dia passaram com muitos cabelos, músicas, manias e histórias.
daqueles que se foram, mas que sempre ficaram.
e hoje eu faço parte desse grupo que se foi e sempre ficou porque aquela casa é tão deles quanto minha, quanto de todos que ainda nem chegaram lá ainda.
é uma casa acolhedora que come pizza às terças e fez muitas festas às quintas.
hoje eu já sinto falta das coroas, as tetéias e os clipes que fizeram de todos princesas tão lindas quanto a nossa musa.
hoje eu assinei a saudade dessa vida que me acompanhou por meia década.
hoje eu assinei a saudade do calé.
a saudade de um tempo que se vai.
hoje assinei o fim de uma fase, que não pareceu ser uma fase e sim toda uma vida.
uma vida tão bonita que até teve casa para morar.
uma casa cheia de poesia, rabiscos e nomes de novela mexicana.
uma casa que uma vez foi pintada de cinza e reescrita de papéis coloridos colantes.
uma casa de cachorros voadores, super-poderes, alguns podres e lamentações.
uma casa que se recria no portugays de todo dia.
uma casa que se desenha caralhinhos voadores, fazendo referências que poucos reconhecem, entendem, mas que fazem parte daqueles que viveram e vivem por lá.
daqueles que um dia passaram com muitos cabelos, músicas, manias e histórias.
daqueles que se foram, mas que sempre ficaram.
e hoje eu faço parte desse grupo que se foi e sempre ficou porque aquela casa é tão deles quanto minha, quanto de todos que ainda nem chegaram lá ainda.
é uma casa acolhedora que come pizza às terças e fez muitas festas às quintas.
hoje eu já sinto falta das coroas, as tetéias e os clipes que fizeram de todos princesas tão lindas quanto a nossa musa.
hoje eu assinei a saudade dessa vida que me acompanhou por meia década.
hoje eu assinei a saudade do calé.
domingo, 5 de janeiro de 2014
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
regresso
assim como o meu pai, eu também tenho querido ir para casa sem saber exatamente onde ela é.
porque nesses vinte e três anos o que eu tenho como casa, em grande parte, é também o meu pai. esse homem que deu o meu primeiro banho e que dançava comigo aos domingos pela manhã a música madalena e que concordava quando eu dizia que era a música da farofa e a mais animada do mundo, mesmo sendo muito triste. que chamava uma mão de sapeca e outra de mãozinha só para brincar de me fazer cócegas. que dormia no quarto comigo porque eu tinha medo do escuro e que chorou muito quando eu disse que era gay, mas acabou me aceitando sem restrições depois de um tempo. meu pai que sempre me ajudou a resolver um monte de coisa e que brigava comigo e dizia "entendeu" ao fim das frases mesmo não estando certo. que adorava repetir a palavra "babaca"e sempre me irritava com isso e com o fato de cantarolar em elevadores, mesmo quando eles estavam cheios. meu pai que sempre foi o meu porto seguro e que eu sabia que sempre poderia me ajudar no que quer que fosse. meu pai que me amou antes mesmo de eu existir. meu pai quem eu amei mesmo antes deu existir.
e quando eu chego em casa ele está querendo ir para casa porque não reconhece mais que nossa casa é a nossa casa. e então essa palavra deixou de ter um sentido espacial para não ter mais nenhum sentido palpável. casa não é mais um casa e sim um conjunto de sensações felizes que talvez nem pertençam a esse mundo. e ele se perdeu de sua casa, se perdeu dele mesmo e tenho medo que se perca de mim também porque sei que isso vai acontecer, mesmo que seja momentâneo, porque a consolo de tudo isso é saber que tudo isso é momentâneo e que a gente vai achar outras coisas, que a vida segue e o espírito também. que assim seja.
porque nesses vinte e três anos o que eu tenho como casa, em grande parte, é também o meu pai. esse homem que deu o meu primeiro banho e que dançava comigo aos domingos pela manhã a música madalena e que concordava quando eu dizia que era a música da farofa e a mais animada do mundo, mesmo sendo muito triste. que chamava uma mão de sapeca e outra de mãozinha só para brincar de me fazer cócegas. que dormia no quarto comigo porque eu tinha medo do escuro e que chorou muito quando eu disse que era gay, mas acabou me aceitando sem restrições depois de um tempo. meu pai que sempre me ajudou a resolver um monte de coisa e que brigava comigo e dizia "entendeu" ao fim das frases mesmo não estando certo. que adorava repetir a palavra "babaca"e sempre me irritava com isso e com o fato de cantarolar em elevadores, mesmo quando eles estavam cheios. meu pai que sempre foi o meu porto seguro e que eu sabia que sempre poderia me ajudar no que quer que fosse. meu pai que me amou antes mesmo de eu existir. meu pai quem eu amei mesmo antes deu existir.
e quando eu chego em casa ele está querendo ir para casa porque não reconhece mais que nossa casa é a nossa casa. e então essa palavra deixou de ter um sentido espacial para não ter mais nenhum sentido palpável. casa não é mais um casa e sim um conjunto de sensações felizes que talvez nem pertençam a esse mundo. e ele se perdeu de sua casa, se perdeu dele mesmo e tenho medo que se perca de mim também porque sei que isso vai acontecer, mesmo que seja momentâneo, porque a consolo de tudo isso é saber que tudo isso é momentâneo e que a gente vai achar outras coisas, que a vida segue e o espírito também. que assim seja.
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
eu tenho perdido muitas coisas ultimamente... algumas nem tão ultimamente assim... algumas eu já perdi há mais de um ano atrás e por mais que eu ache que a falta possa ir embora ela ainda não foi. E a falta está muito grande agora porque eu não queria estar tão sozinha.
ultimamente eu perdi o meu pai. na verdade, não o perdi ainda literalmente. eu o perco um pouco a cada dia que passa. e ele se perde também e sei que isso deve doer muito mais nele do que em mim. tenho medo a todo momento que ele acorda porque eu sei que ele é um pouquinho menos do meu pai do que quando ele estava acordado antes. hoje ele disse que quer ir para casa, para o nosso lar, mesmo que estivessemos em nossa casa, então acho que é porque ele não tem mais se visto aqui e está querendo se buscar. e eu sei que um dia ele vai se encontrar e vai ver que ele não é apenas esse emaranhado de lembranças e sentimentos confusos. ele vai ver que é um espírito imortal destinado a ser feliz e isso é muito lindo e muito bom... mas ele não vai mais ser o meu pai... talvez seja outro pai, mas não o meu pai de agora. isso eu já perdi e não tem mais volta e isso dói para caramba. dói tanto que às vezes eu estaciono o carro e não quero subir para a nossa casa, porque eu também estou um pouco perdida dela. porque eu sei que quando eu chego eu tenho que tomar muito cuidado para não chorar o tempo todo.
eu perdi a vontade de muitas coisas também porque tem tanta coisa dando errado... nem consigo tomar um banho sem que a água esfrie.
ultimamente eu perdi o meu pai. na verdade, não o perdi ainda literalmente. eu o perco um pouco a cada dia que passa. e ele se perde também e sei que isso deve doer muito mais nele do que em mim. tenho medo a todo momento que ele acorda porque eu sei que ele é um pouquinho menos do meu pai do que quando ele estava acordado antes. hoje ele disse que quer ir para casa, para o nosso lar, mesmo que estivessemos em nossa casa, então acho que é porque ele não tem mais se visto aqui e está querendo se buscar. e eu sei que um dia ele vai se encontrar e vai ver que ele não é apenas esse emaranhado de lembranças e sentimentos confusos. ele vai ver que é um espírito imortal destinado a ser feliz e isso é muito lindo e muito bom... mas ele não vai mais ser o meu pai... talvez seja outro pai, mas não o meu pai de agora. isso eu já perdi e não tem mais volta e isso dói para caramba. dói tanto que às vezes eu estaciono o carro e não quero subir para a nossa casa, porque eu também estou um pouco perdida dela. porque eu sei que quando eu chego eu tenho que tomar muito cuidado para não chorar o tempo todo.
eu perdi a vontade de muitas coisas também porque tem tanta coisa dando errado... nem consigo tomar um banho sem que a água esfrie.
domingo, 29 de setembro de 2013
depressão.
ultimamente tenho tido vontade de pedir para todas as pessoas terem paciência comigo, não me cobrarem nada, me ajudarem, porque está tudo dando errado, porque a minha família está um caos, porque o eagles só perde, porque o GEAMA está se esvaindo e o GEAMA é a minha vida e estou me sentindo sem rumo, perdida e só. e eu preciso muito me agarrar em alguma coisa já que os meus três corações estão murchinhos, mas está difícil porque o GEAMA é o principal na minha vida, o que mais me resta? não tenho uma namorada ou um bebê ou algo que me faça pensar que nunca estarei só e que a vida pode ser linda. o que sempre me fez ter certeza da beleza da vida e da não solidão sempre foi o GEAMA, mas agora ele anda capengando e pessoas estão abandonando o barco e eu estou me sentindo abandonada e eu estou tão sem forças, tão cheia de preguiça até para sorrir, com uma parte do coração lá no japão e a outra perdida por aí onde nem eu sei. e eu busco maneiras de pedir socorro porque estou tão perdida que nem acho mais a vontade de levantar da cama. eu preciso de evangelho, de jesus, de eurípedes, de corações, de rohden e de abraços.
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
estou me sentindo tão sozinha hoje.
e minha solidão tem parecido uma tosse.
eu não sei quando começou exatamente mas tenho aquela sensação de que nunca mais vai embora, que vou ficar tossindo para sempre.
até que um dia passa, sem se perceber, assim como se chega.
mas esse dia não é hoje.
hoje, eu tusso só.
e minha solidão tem parecido uma tosse.
eu não sei quando começou exatamente mas tenho aquela sensação de que nunca mais vai embora, que vou ficar tossindo para sempre.
até que um dia passa, sem se perceber, assim como se chega.
mas esse dia não é hoje.
hoje, eu tusso só.
domingo, 25 de agosto de 2013
terça-feira, 16 de julho de 2013
talvez
talvez esse seja então o problema desde sempre. talvez então ela seja a razão por eu sempre buscar mulheres inalcançáveis. talvez seja por causa desse sentimento que nunca vai embora apesar dos anos passarem. muito pelo contrário... sempre esteve aqui, mesmo que adormecido e isso não é nenhuma surpresa. sempre soube que ele estava aqui porque ele nunca se fez esquecer. nunca mesmo. mesmo vivendo outros caminhos, mesmo sabendo que o máximo que sempre teria dela é exatamente o que eu já tenho. mas nada, absolutamente nada disso muda alguma coisa do que eu sinto. talvez essa coisa de gostar de mulheres complicadas seja para que eu nunca, de fato, esteja totalmente com alguém. para que eu sempre possa simplesmente largar tudo caso ela estale os dedos. e eu sei - e essa constatação é dolorosa demais - sei com absoluta certeza que ela não me quer, que não tenho chance nenhuma, que não é possível. eu sei disso e já até me acostumei com o fato de saber disso. sempre soube. nunca houve uma esperança real e não há. então por que? por que eu continuo desejando que aconteça um milagre? que tudo mude? não dá, carolina! ela não te quer. ela só quer exatamente o que já tem de você. e ela poderia ter tudo de mim, absolutamente tudo, mas ela não quer. e talvez seja isso que me prenda. o fato de que eu ainda não consigo abrir mão de a querer, mesmo sabendo que ela não quer. talvez eu realmente ainda esteja presa nessa loucura de sentimento esquisito. é verdade que eu nunca parei de sonhar com ela enquanto dormia, porque aquele tipo de sonho acordado eu não me permito, mas meu inconsciente insiste em lembrar que ela nunca foi embora. talvez seja essa mesma a razão de eu realmente escolher aquilo que eu não posso ter, porque de verdade é ela que eu sempre quis esse tempo todo.
é... talvez seja isso, mas só talvez porque não ouso ter essa certeza surreal. se eu admito que é isso, e aí? como faz? como faz para não ser mais isso? como faz para realmente seguir em frente? melhor acreditar que eu sempre segui em frente. se eu acreditar muito nisso talvez vire verdade.
é... talvez seja isso, mas só talvez porque não ouso ter essa certeza surreal. se eu admito que é isso, e aí? como faz? como faz para não ser mais isso? como faz para realmente seguir em frente? melhor acreditar que eu sempre segui em frente. se eu acreditar muito nisso talvez vire verdade.
quarta-feira, 26 de junho de 2013
terça-feira, 11 de junho de 2013
O vento responde
Tudo
começou pelos animais. Aqueles rostinhos brilhantes e carinhosos que a chamavam
para um abraço. Não que os seres-humanos não soubessem abraçar, mas seus
abraços, muitas vezes, eram só com os braços e os cachorros, por exemplo, não
tinham braços e precisavam abraçá-la de outra forma. E ela gostava dessa outra
forma: o olhar cheiroso de fidelidade e principalmente os ouvidos silenciosos,
porque seu cachorro sabia ouvir como ninguém e ela então desabafava tudo que
precisava e ele a escutava companheiro e respondia do jeito que podia. Mas essa
história não é fantasiosa e animais não batem papos com humanos. É apenas a
mágica realidade das coisas vivas e ela ama todas as coisas vivas. E quem há de
negar que o cachorro seja vivo? E se o é por que não contá-lo sobre nossos
dias, medos e desejos? E ela contava e foi aí que começou tudo. A partir daí
tudo o que era vivo lhe fascinava e também lhe ouvia. Para que matar formigas
indesejáveis e tão pequenas, tadinhas? Conversemos com elas que elas nos ouvem.
E ouvem mesmo e respondem como podem e como os cachorros também abraçam como
podem. As formigas andam, escutam e são vivas, muito vivas. Mas quem há de
negar que formigas são vivas? Assim como as árvores e as flores. E ela
descobriu que as árvores não choram, mas servem. E ela descobriu também que
pode conversar com elas e abraçá-las porque as árvores entendem e também amam,
mesmo que não saibamos como amá-las de volta, mesmo que as destruamos elas amam
porque elas sabem perdoar e nos perdoam. Voltam a crescer e nos servir e nos
ouvir. Elas são velhas e muito sábias. E a menina descobriu que as flores
perfumam aqueles que olharem. E quem há de negar que as árvores e as flores são
vivas? E o vivo lhe fascinava tanto tanto que passou a buscá-lo em vários
lugares e assim chegou ao vento, porque o vento é vivo, apesar de negarem. Vivo
e sábio. Ele passeia por todo o mundo e conversa com o cachorro, com a formiga,
com a árvore, com a flor e com a menina. E ela conversa com ele e ele ouve e
responde como pode, abraça-a como pode e reconforta-a porque ele é vivo e ela
ama tudo que é vivo. Mas além do amor pelo vivo ela também se sente deslumbrada
por outra coisa: a destruição. E ela então entende seu fascínio sem o entender
o porquê das coisas que vão virando paradoxos, antíteses e oxímoros. Talvez ela
se sinta tão vislumbrada pela destruição justamente porque ame tanto a vida,
apesar de ser um pensamento contraditório. Talvez quando duas coisas se
contradizem nunca estiveram tão próximas, talvez. A verdade é que não se
destrói a vida, porque ela está sempre viva, mesmo que não saibamos exatamente
o que ela é ou como defini-la. A verdade é que a destruição não causa a morte
da vida porque ela não morre. A destruição só prova que a vida está sempre
pronta para um recomeço. E a menina só é capaz de entender tudo isso e tudo
nela se ela conversar com o vivo. E vento que vive eternamente, sempre responde
muito bem.
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