terça-feira, 16 de julho de 2013

talvez

talvez esse seja então o problema desde sempre. talvez então ela seja a razão por eu sempre buscar mulheres inalcançáveis. talvez seja por causa desse sentimento que nunca vai embora apesar dos anos passarem. muito pelo contrário... sempre esteve aqui, mesmo que adormecido e isso não é nenhuma surpresa. sempre soube que ele estava aqui porque ele nunca se fez esquecer. nunca mesmo. mesmo vivendo outros caminhos, mesmo sabendo que o máximo que sempre teria dela é exatamente o que eu já tenho. mas nada, absolutamente nada disso muda alguma coisa do que eu sinto. talvez essa coisa de gostar de mulheres complicadas seja para que eu nunca, de fato, esteja totalmente com alguém. para que eu sempre possa simplesmente largar tudo caso ela estale os dedos. e eu sei - e essa constatação é dolorosa demais - sei com absoluta certeza que ela não me quer, que não tenho chance nenhuma, que não é possível. eu sei disso e já até me acostumei com o fato de saber disso. sempre soube. nunca houve uma esperança real e não há. então por que? por que eu continuo desejando que aconteça um milagre? que tudo mude? não dá, carolina! ela não te quer. ela só quer exatamente o que já tem de você. e ela poderia ter tudo de mim, absolutamente tudo, mas ela não quer. e talvez seja isso que me prenda. o fato de que eu ainda não consigo abrir mão de a querer, mesmo sabendo que ela não quer. talvez eu realmente ainda esteja presa nessa loucura de sentimento esquisito. é verdade que eu nunca parei de sonhar com ela enquanto dormia, porque aquele tipo de sonho acordado eu não me permito, mas meu inconsciente insiste em lembrar que ela nunca foi embora. talvez seja essa mesma a razão de eu realmente escolher aquilo que eu não posso ter, porque de verdade é ela que eu sempre quis esse tempo todo.

é... talvez seja isso, mas só talvez porque não ouso ter essa certeza surreal. se eu admito que é isso, e aí? como faz? como faz para não ser mais isso? como faz para realmente seguir em frente? melhor acreditar que eu sempre segui em frente. se eu acreditar muito nisso talvez vire verdade.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

minha zona de conforto é bem desconfortável.

terça-feira, 11 de junho de 2013

O vento responde


Tudo começou pelos animais. Aqueles rostinhos brilhantes e carinhosos que a chamavam para um abraço. Não que os seres-humanos não soubessem abraçar, mas seus abraços, muitas vezes, eram só com os braços e os cachorros, por exemplo, não tinham braços e precisavam abraçá-la de outra forma. E ela gostava dessa outra forma: o olhar cheiroso de fidelidade e principalmente os ouvidos silenciosos, porque seu cachorro sabia ouvir como ninguém e ela então desabafava tudo que precisava e ele a escutava companheiro e respondia do jeito que podia. Mas essa história não é fantasiosa e animais não batem papos com humanos. É apenas a mágica realidade das coisas vivas e ela ama todas as coisas vivas. E quem há de negar que o cachorro seja vivo? E se o é por que não contá-lo sobre nossos dias, medos e desejos? E ela contava e foi aí que começou tudo. A partir daí tudo o que era vivo lhe fascinava e também lhe ouvia. Para que matar formigas indesejáveis e tão pequenas, tadinhas? Conversemos com elas que elas nos ouvem. E ouvem mesmo e respondem como podem e como os cachorros também abraçam como podem. As formigas andam, escutam e são vivas, muito vivas. Mas quem há de negar que formigas são vivas? Assim como as árvores e as flores. E ela descobriu que as árvores não choram, mas servem. E ela descobriu também que pode conversar com elas e abraçá-las porque as árvores entendem e também amam, mesmo que não saibamos como amá-las de volta, mesmo que as destruamos elas amam porque elas sabem perdoar e nos perdoam. Voltam a crescer e nos servir e nos ouvir. Elas são velhas e muito sábias. E a menina descobriu que as flores perfumam aqueles que olharem. E quem há de negar que as árvores e as flores são vivas? E o vivo lhe fascinava tanto tanto que passou a buscá-lo em vários lugares e assim chegou ao vento, porque o vento é vivo, apesar de negarem. Vivo e sábio. Ele passeia por todo o mundo e conversa com o cachorro, com a formiga, com a árvore, com a flor e com a menina. E ela conversa com ele e ele ouve e responde como pode, abraça-a como pode e reconforta-a porque ele é vivo e ela ama tudo que é vivo. Mas além do amor pelo vivo ela também se sente deslumbrada por outra coisa: a destruição. E ela então entende seu fascínio sem o entender o porquê das coisas que vão virando paradoxos, antíteses e oxímoros. Talvez ela se sinta tão vislumbrada pela destruição justamente porque ame tanto a vida, apesar de ser um pensamento contraditório. Talvez quando duas coisas se contradizem nunca estiveram tão próximas, talvez. A verdade é que não se destrói a vida, porque ela está sempre viva, mesmo que não saibamos exatamente o que ela é ou como defini-la. A verdade é que a destruição não causa a morte da vida porque ela não morre. A destruição só prova que a vida está sempre pronta para um recomeço. E a menina só é capaz de entender tudo isso e tudo nela se ela conversar com o vivo. E vento que vive eternamente, sempre responde muito bem.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

vontade de dizer alguma coisa sem saber exatamente o que

"som de assombração"
"branca é a tez da manhã"

manhãs e noites silenciosas, solitárias e nada guardiãs.

domingo, 5 de maio de 2013

Se precisar, grite.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

as árvores não gritam, só servem.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Por que eu continuo esperando?

Clara

a casa, a rede, a banheira, o cachorro, as crianças, as árvores... a Clara... e ela.

tudo tão perto hoje. apesar de tão longe.

saudade do que ainda não tivemos.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

À meia noite e trinta e quatro


Então escuto o barulho do celular vibrar. Olho rapidamente a hora: meia noite e trinta e quatro. Aproximo-me do aparelho e atendo o celular perguntando-me quem poderia ser tão tarde. Não demoro a ouvir a voz de uma aluna me falar o seu nome seguido de um desculpa-estar-ligando-tão-tarde-mas-estou-tão-mal. Ouço sua voz se transformar num choro de desabafo enquanto fala algumas coisas explicando-me de sua tristeza. Enquanto respiro fundo dizendo-a que tudo bem ter ligado à meia noite e trinta e quatro, eu-não-estava-dormindo, e não estava mesmo e também não importa que estivesse, teria atendido e ainda assim teria ficado feliz ao atender. E eu fiquei feliz ao atender. Fiquei feliz mas não por ela estar triste e sim porque ela poderia estar triste e só, ela poderia estar triste e se afundar em tristeza sem nenhuma palavra amiga, mas ao invés disso ela estava triste e me ligou à meia noite e trinta e quatro. E fiquei feliz por ela ter tido a consciência de que poderia me ligar à meia noite e trinta e quatro para chorar não mais só e para pedir um pouco de amparo e uma palavra amiga. Fiquei feliz porque ela entendeu que eu sou o tipo de professora que não tira férias, e que está disponível em qualquer hora até mesmo à meia noite e trinta e quatro. Ela entendeu que eu sou o tipo de professora que não ensina português, que não ensina nada na verdade, mas que aprende junto, que vive junto, até mesmo à meia noite e trinta e quatro. Ela entendeu que eu sou o tipo de professora que ouve tudo sem julgamento a qualquer hora, até mesmo a meia noite e trinta e quatro. Ela entendeu que para se ser professor de verdade é preciso se importar de verdade e, naquela meia noite e trinta e quatro, ela precisava de alguém que se importasse de verdade. E com aquela ligação de 11 minutos, ela ensinou-me muito mais do que as 120 horas de estágio que já fiz, pois naqueles 11 minutos à meia noite e trinta e quatro, ela me mostrou que eu estou no caminho para ser a professora que desejo ser e que sendo essa professora que desejo ser, não só existem notas boas como consequência, mas também alunos menos sós e mais felizes.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

hoje é segunda, mas escrevi isso no sábado

Se meu celular tivesse sinal agora, eu mandaria mensagem dizendo o quanto foi ruim estar aqui sem ela, apesar de ser muito bom estar aqui.
Se meu celular tivesse sinal agora, eu diria que a amo de uma forma tão estranha que ainda acredito que ela venha, que ela chegue, se jogue com tudo no meu abraço aguardoso e me queira do jeito que aquele olhar me quer.
Se meu celular tivesse sinal agora, talvez ela não atendesse ou respondesse... Hoje é sábado e ela não está multiplicando corações. Hoje é sábado e ela deve estar do outro lado da ponte, do outro lado longe de mim, longe de tudo que vivemos e que ainda podemos viver, apesar de estar tão perto...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

dor de cabeça para distrair a dor do coração...

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

é insaível essa situação.
só queria poder dizer algo, fazer algo, para que tudo ficasse bem entre nós.
para que você viesse e pudessemos viver aquela vida, sabe? aquela que sonhamos...
a clara!
mas eu não posso fazer nada...
sinto isso: insaívidade.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

e agora, Carolina?
e agora você...
se você você gritasse, se você gemesse...
se você dormisse...
se você corresse...
se você rezasse mais...
se você fosse mais paciente...

e agora, Carolina?

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

mais um daqueles dias que preciso desesperadamente do porto seguro que não é meu...
a luz do sol vai ter que ser suficiente.
com a luz do sol em forma liquída posso regenerar o que quiser... e até o querer...
essa é minha prece de hoje.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

ah, Eurípedes!

sinto que parte da minha encarnação falhou. eu falhei. ela falhou. clara não vem.
perdão.
será que tem mais alguma mulher de encarnação falhada que quer tentar outros rumos comigo? na bagagem trago uma bela escola e uma família com muitos corações vermelhos, amarelos e azuis.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

"poderoso é o sol da verdade"

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

pesadelo das 4:55

tive um pesadelo com você essa noite...
era o dia antes do seu aniversário e você me dizia que atravessaria a ponte e só voltaria a noite para jantarmos juntas.
lembro até agora da dor que senti.
disse que você era uma mentirosa porque nunca voltava... não voltaria.
não voltaria para mim.
você ficou em silêncio porque sabia que era verdade. sabia que sempre ficava lá e que não voltava para mim. nem em um dia, nem para sempre.
acordei morrendo de frio às 4:55. e quando acordamos de um sonho ruim geralmente sentimos alívio, porque o pesadelo fica no pesadelo.
só que para mim não funciona assim. quando acordei o pesadelo ficou mais forte, porque ele também faz parte da realidade...
às 4:55 relembrei, mais uma milésima vez, que era aniversário seu e que você iria para ela e não para mim. e que era feriado, fim de semana e outro feriado. e que então você iria para ela todos esses dias e não voltaria... não voltaria para mim nem para a Clara.

domingo, 11 de novembro de 2012

não dá mais.
eu não quero mais querer o que ainda quero.
porque o querer dela não quer o que eu o meu querer ainda quer.

não depende mais de mim, não depende mais de ninguém mais que não ela, não depende mais...
elá já disse que não pode.

não.








eu que não posso mais.


































não posso mais deixar subir, não posso mais querer. nao posso mais muita coisa!





























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terça-feira, 6 de novembro de 2012

quando o navegante não navega

ela continua preferindo atravessar a ponte para outro porto que não o meu. ela continua escolhendo ir para o outro lado e ainda diz que sou que estou indo embora. ela que se afasta e espera que eu fique esperando. até quando? meu porto está onde ele sempre esteve, mas agora está cansado de esperar pela navegante que não vem e que atravessa a ponte para um porto que não o meu. e eu preciso aceitar o fato que o caminho que ela escolhe é o da ponte e que há alguém que há de escolher o mar.

sábado, 27 de outubro de 2012

ela vai e vem e vai...
tem dias que se importa muito, diz que precisa me ver e dias que não se importa e some.
ela vai e vem e vai de novo... e de novo...
não precisa fazer sentido para ser realidade.







ou doer...

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

hoje assisti dois filmes de comédia romântica - ainda não entendi se fiz isso por masoquismo ou por vontade de voltar a sonhar mais e viver um pouco menos - e senti-me como vivendo um desses filmes.

aquele começo dos personagens principais que passam um pelo outro, ao acaso. um sorri, o outro vê, se encanta. o acaso os junta novamente e de repente tudo acontece rápido. faíscas, atrações, sorrisos, risos, aquela sensação de que tudo era para acontecer e milhares de situações mágicas. de repente algo acontece antes do final feliz. é o momento do clímax. os personagens principais têm a relação abalada. uma briga, algum conflito. parece que o filme vai acabar, mas sabemos que é uma comédia romântica e elas sempre têm finais felizes. me vi no filme quando eles brigaram, a mocinha se sentiu mal, estava brava, triste e mesmo assim esperou que ele viesse. o pai disse que tinha alguém esperando por ela e mesmo depois do conflito ela sorriu ligeiramente, sei que seu coração bateu forte e que ela realmente acreditou que fosse ele... mas não era... ele não tinha vindo... estou parada nessa cena, em que ela não veio. mas a menina do filme se deu bem depois porque quando ela não esperava que ele viesse ele a surpreendeu e apareceu e o final feliz chegou.

eu estou presa na cena climax de uma comédia romântica. já tem muito tempo. tanto que só hoje vi dois filmes que chegaram ao final feliz bem antes de mim. estou presa nesse meio termo. atolada na mesma sucessão de cenas esperando um final feliz. mas minha vida não é um filme de comédia romântica e eu preciso parar de assistir essas porcarias...
eu não entendo.
as ações dela não condizem com a verdade.
e por causa disso vamos viver uma mentira...
acho que ela não quer ser feliz...

respiro fundo e penso que preciso deixa-la ir, já que ela não quis vir apesar de tudo.
eu preciso. e converso comigo...

carolina só quer alguém que a queira o suficiente para estar com ela. calma, carolina, tem coisas que não são planejadas, mas que não estão no seu controle. você fez o que podia. você não pode mais, carolina... sinto muito... já é quarta-feira e ela não veio. passou um ano e ela não veio. carolina, sinto muito, mas acho que ela não vem... segura o choro e busca outros caminhos...

"poderoso é o sol da verdade"

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

ela diz que não pode e eu fico pensando que eu que não posso mais continuar assim.
continuar nessa espera desesperada. já não ouvi que "somente por causa do desesperado que a esperança nos foi concedida?"
preciso plantar flores para uma nova primavera porque a desse ano chegou sem flores nem borboletas.
a borboleta quer voar para outras primaveras. amanhã é terça e hoje ela não me disse sim.
disse-me que não pode.
enquanto isso eu passo dias querendo fazer de tudo para que ela venha, tentando entender a sua burrice.
não entendo.
não posso mais.
eu a amo tanto. eu a quero tanto.
apago as luzes do quarto e sonho com uma outra realidade em que ela não está, nem eu, nem ninguém que exista. sonho com um sonho esperando sonhar com qualquer coisa que não mais ela. dói demais sonhar com ela e acordar sem ela.
não posso mais.
ela me ama tanto, mas não vem. vive dizendo que me ama independente de não estar comigo e eu não entendo porque não está comigo já que sei que me ama tanto. eu sinto que em ama. eu sei que me ama. mas quando peço para vir diz que não pode.
não posso mais.
te amo sempre.